O Parque São Bartolomeu é uma imensa reserva de Mata Atlântica em área urbana. Localizado entre o subúrbio ferroviário de Salvador e o bairro de Pirajá, habitado por Tupinambás quando se deu a invasão de nosso país pelos portugueses, colonizadores ditos descobridores desta terra habitada, cuidada e preservada por seus nativos, foi também cenário da histórica Batalha de Pirajá, pela independência da Bahia.
Com a presença dos indígenas na Mata do Urubu, como era conhecida, foi estratégico para os Jesuítas se estabelecerem com suas propostas de domínio pacífico, mantendo os indígenas sob seu olhar e subversivos cuidados.
Com o início do tráfico de pessoas vindas do continente africano para atividades escravas, o que não perdurou tanto e por diversos motivos com os indígenas, a Floresta do Urubu passa a acolher, guardar e preservar culturas e tradições vindas com os africanos, que fugiam das correntes e açoites para a liberdade da mata, com suas cachoeiras e vegetações que guardaram e ainda guardam mistérios de nossos antepassados. Hoje, um local sagrado de cultos afro brasileiros.
Herdamos de nossos ancestrais negros e indígenas as relações com a terra, com as águas e com as folhas. O Quilombo do Urubu resistiu por muito tempo às caçadas dos portugueses, e teve como figura de maior representação, uma mulher: Guerreira Zeferina, rainha do Quilombo do Urubu.
Zeferina liderava negras, negros e indígenas na luta contra a violência e atrocidades dos invasores.
A Circular do dia 23 de Julho foi também muito especial, e desta vez, com a energia do parque secular, sentimos a força e proteção, refletimos sobre nossos ancestrais guerreiros e sobre nossa capacidade de vencer batalhas, desde que saibamos quem somos, de onde viemos... Assim fica mais fácil para compreender e seguir no destino que a vida nos reserva, e nele fazer escolhas que mudem o rumo de nossas histórias.
A presença de crianças, adultos e das mais velhas, como a ilustre presença das sambadeiras dona Eulina e dona Salviana, foram fundamentais para ratificar a importância daqueles que chegaram primeiro, construíram e deixaram o legado histórico que herdamos e que é nosso papel preservar.
A Circular tem sido um movimento de amor, vida e libertação através das trocas, do aprendizado, estamos nos reconhecendo cada vez mais através do samba de roda em movimento na cultura popular, das rodas, dos cantos, do movimento de nossos corpos, tudo isso em nosso território, com nossa gente. Isso é Circular!
Acesse as fotos da terceira Circular do Samba de Roda na Cultura Popular pelo facebook, clicando no link:
https://www.facebook.com/circulardosambaderoda/photos/?tab=album&album_id=1242987459076031
Projeto contemplado pelo Edital Arte Todo Dia Ano II, da Fundação Gregório de Mattos, Prefeitura de Salvador.
Projeto contemplado pelo Edital Arte Todo Dia Ano II, da Fundação Gregório de Mattos, Prefeitura de Salvador.














