quinta-feira, 25 de agosto de 2016

Mata do Urubu de Quilombolas e Tupinambás



O Parque São Bartolomeu é uma imensa reserva de Mata Atlântica em área urbana. Localizado entre o subúrbio ferroviário de Salvador e o bairro de Pirajá, habitado por Tupinambás quando se deu a invasão de nosso país pelos portugueses, colonizadores ditos descobridores desta terra habitada, cuidada e preservada por seus nativos, foi também cenário da histórica Batalha de Pirajá, pela independência da Bahia.

Com a presença dos indígenas na Mata do Urubu, como era conhecida, foi estratégico para os Jesuítas se estabelecerem com suas propostas de domínio pacífico, mantendo os indígenas sob seu olhar e subversivos cuidados.

Com o início do tráfico de pessoas vindas do continente africano para atividades escravas, o que não perdurou tanto e por diversos motivos com os indígenas, a Floresta do Urubu passa a acolher, guardar e preservar culturas e tradições vindas com os africanos, que fugiam das correntes e açoites para a liberdade da mata, com suas cachoeiras e vegetações que guardaram e ainda guardam mistérios de nossos antepassados. Hoje, um local sagrado de cultos afro brasileiros.

Herdamos de nossos ancestrais negros e indígenas as relações com a terra, com as águas e com as folhas. O Quilombo do Urubu resistiu por muito tempo às caçadas dos portugueses, e teve como figura de maior representação, uma mulher: Guerreira Zeferina, rainha do Quilombo do Urubu.

Zeferina liderava negras, negros e indígenas na luta contra a violência e atrocidades dos invasores.

A Circular do dia 23 de Julho foi também muito especial, e desta vez, com a energia do parque secular, sentimos a força e proteção, refletimos sobre nossos ancestrais guerreiros e sobre nossa capacidade de vencer batalhas, desde que saibamos quem somos, de onde viemos... Assim fica mais fácil para compreender e seguir no destino que a vida nos reserva, e nele fazer escolhas que mudem o rumo de nossas histórias.

A presença de crianças, adultos e das mais velhas, como a ilustre presença das sambadeiras dona Eulina e dona Salviana, foram fundamentais para ratificar a importância daqueles que chegaram primeiro, construíram e deixaram o legado histórico que herdamos e que é nosso papel preservar.

A Circular tem sido um movimento de amor, vida e libertação através das trocas, do aprendizado, estamos nos reconhecendo cada vez mais através do samba de roda em movimento na cultura popular, das rodas, dos cantos, do movimento de nossos corpos, tudo isso em nosso território, com nossa gente. Isso é Circular!

Acesse as fotos da terceira Circular do Samba de Roda na Cultura Popular pelo facebook, clicando no link:
https://www.facebook.com/circulardosambaderoda/photos/?tab=album&album_id=1242987459076031



Projeto contemplado pelo Edital Arte Todo Dia Ano II, da Fundação Gregório de Mattos, Prefeitura de Salvador.

terça-feira, 12 de julho de 2016

Guerreira Zeferina e A Cidade de Plástico


Foi às pressas que realizamos a segunda Circular do Samba de Roda. O local já estava definido, o que não contávamos  é com o prazo curto para desocupação de toda a comunidade para execução de projeto urbanístico. Malas prontas para viajar no São João?!?! Mudança de Planos.

Nosso dia 23 de Junho foi diferente de tudo o que planejamos. Transcendeu nossas expectativas e surpreendeu nossa equipe que chegou ao Grupo de Capoeira Angola Guriatá, recebidos pelo Mestre Gigante e o seu fiel escudeiro Pirata. Logo mais Trenell, irmão que acompanha e cuida do mestre, chegou também. Marta, angoleira que também acompanha o Mestre, nos serviu alimento, carinho e amor. Capoeira Angola é quilombo.

Poucas crianças, e os poucos adultos da favela estavam de mudança. Os becos, os grafites nas paredes e as casa simples nos receberam vazias. Não tínhamos como executar o cronograma do projeto com as atividades programadas. Nos adaptamos à realidade da favela e vivemos, vivenciamos, nos despedimos daquele lugar que será transformado em um conjunto habitacional, onde o Samba de Roda do projeto A CORDA esteve durante mais de um ano, sambando, aprendendo e ensinando a comunidade Guerreira Zeferina.

Samba de Roda, assim como a Capoeira são rituais e celebrações de vida. Por isso vivemos! Circulamos e nos fortalecemos com a irmandade que nos recebeu, que chegou para fortalecer. Foi uma tarde de emoção, de lágrimas, de alegria, esperança e saudade, mas principalmente de luta. A favela é missão. Ainda que não possamos estar lá todos os dias, ver as crianças crescendo de perto... Vamos chegando quando podemos, levando nossos cantos, corpos em movimento, levando nosso abraço e a cuca fresca para aprender, porque a favela ensina demais. E Guerreira Zeferina vive ali, na alma de guerreiras e guerreiros da CDP. E que grande é ser parte dessa história.

A CORDA! Circular do Samba de Roda na Cultura Popular.

Próxima parada: Parque São Bartolomeu!!










Projeto contemplado pelo Edital Arte Todo Dia Ano II, da Fundação Gregório de Mattos, Prefeitura de Salvador.

quinta-feira, 16 de junho de 2016

A Circular em Tubarão


Já pensou uma tarde de sábado inteirinha na escola??? 
Não parece atraente... 
Mas pode ser proveitoso!

Para a comunidade de Tubarão, foi sim! 




Foi na Escola Municipal Fernando Presídio, que a "Pró Cássia" e sua equipe tão solícita, nos recebeu com carinho e presteza, para uma tarde de história, canto, dança, samba de roda. 

Sendo dia letivo, os alunos tiveram uma aula diferente. Compartilhando o pátio da escola com a vizinhança, a Circular do Samba de Roda propôs uma troca rica de saberes, numa experiência singular promovida pela pluralidade de cada pessoa presente.



Das histórias sobre Tubarão, conta-se que era uma aldeia indígena e este era o nome de seu cacique. Há versão sobre uma tribo que, como outras da época, por ser de valentes guerreiros, tinha nome de peixe.


Daqui da comunidade a gente pode saber que muitos antigos moradores vem da vila de Boca do Rio, no recôncavo próximo a Ilha de Maré, quase intocado e cercado por grandes indústrias. Vila essa de onde os moradores serão removidos para uso portuário, segundo dona Ivone, que veio para Tubarão aos cinco anos, e casou-se com seu Luís, também filho de Boca do Rio.

Em Tubarão, pescadores e veranistas usufruíram da tranquilidade da praia distante por décadas. Recentemente o crescimento urbano e demográfico transformou Tubarão em um lugar muito mais movimentado que a deserta praia da década de 70. O ritmo de vida dos moradores também mudou, o fluxo de pessoas, as relações entre elas, seus modos... 

E Tubarão continua linda. Por vezes ainda deserta. Bela no outono, onde o sol se põe pertinho do "T" que finda a curva da Baía. 


Dentro da roda as histórias, os cantos, a prática de rodar cantando, batendo palmas e pés. Sobretudo, refletindo sobre cada som e cada momento. Dentro da roda, movimento. De vento, água, fogo e terra. Movimento de planta crescendo. De gente que aos poucos se entende negra, indígena, brasileira, artista.


O Samba de Roda fechou os trabalhos da tarde. Nossa equipe, cheia de amor, comemorou. Foi lindo. Foi produtivo e enriquecedor. Isso é Cultura Popular.


Equipe Circular de Tubarão:

Rodrigo Araújo

Samuel Artigas
Ádila Barretto
Daniel Pinho
Jonatan da Oliveira
Natureza França
Luisão da Mata
Paulo Correia



Projeto contemplado pelo Edital Arte Todo Dia Ano II, da Fundação Gregório de Mattos, Prefeitura de Salvador.

domingo, 29 de maio de 2016

Circular inicia atividades em Tubarão!!


É sábado, 11 de Junho, em Tubarão, que A CORDA inicia a Circular do Samba de Roda na Cultura Popular. O projeto contemplado pelo edital Arte Todo Dia Ano II, da Fundação Gregório de Mattos, Prefeitura de Salvador, realizará cinco círculos de atividades em comunidades do subúrbio ferroviário e península itapagipana, entre Junho e Setembro de 2016.

O primeiro círculo contempla a comunidade do grupo A CORDA Samba de Roda, Tubarão. Subúrbio ferroviário, recôncavo baiano e território de identidade afro indígena banhado pela natureza divina numa das curvas mais belas da Baía de Todos os Santos.
Localizada em Paripe, último bairro da Avenida Afrânio Peixoto, mais conhecida como Suburbana, que se inicia lá na Calçada, a comunidade de Tubarão cresce em torno da praia e três principais ruas: Rei Charles, Primeira e Segunda Bela Vista. 
Tem uma comunidade de moradores antigos, apesar das interferências socioculturais movimentarem bastante o ciclo residencial.
Em Tubarão muitas pessoas são parentes. O crescimento populacional conta com as relações entre moradores, e mais famílias e herdeiros vão nascendo e crescendo nesta comunidade típica, que pode ter sido uma aldeia indígena muito antes de ser a Vila de Pescadores e Praia de Veraneio das décadas de cinquenta e sessenta.
Tubarão tem um clima quente de verão e bucólico do fim da tarde. Um clima que relembra a linha férrea, o Trem que por muitos anos foi o único meio de transporte de Salvador até esta curva de encantos chamada Tubarão.

Em Tubarão tem manifestações coletivas e festejos de cultura popular como o Boi, a Queima da Palhinha no Dia de Reis, rezas, carurus, sambas comemorativos e outras práticas que estão sendo despertadas no bairro nos últimos anos por motivos diversos.

A comunidade conta com uma escola pública, a Escola Municipal Fernando Presídio, que é parceira do grupo A CORDA Samba de Roda e receberá o nosso projeto a partir das 13h, no dia 11.

Começaremos com uma Roda de Conversa sobre "Consciência Negra o Ano Inteiro", seguida de duas oficinas de "Corpo e Movimento" e "Canto e Ritmo". Fechamos a circular com o tradicional Samba de Roda, que é parte de nossas vidas.

E vamos seguindo com a Circular do Samba de Roda, falando de gente, falando de Samba, de Roda, aprendendo, ensinando e fortalecendo A CORDA da Cultura Popular que somos nós, o povo; sua história, seus saberes, suas práticas juntos na missão de salvaguardar, promover autonomia e sustentabilidade daquelas e daqueles que são a cultura viva.

Vem circular com a gente!



Projeto contemplado pelo Edital Arte Todo Dia Ano II, da Fundação Gregório de Mattos, Prefeitura de Salvador.

sexta-feira, 20 de maio de 2016

CONVITE CIRCULAR


A CORDA! Circular do Samba de Roda surge como mais um veículo de ações afirmativas do nosso Patrimônio Imaterial. 

O Projeto contemplado pelo Edital Arte Todo Dia Ano II, da Fundação Gregório de Mattos, Prefeitura de Salvador, realizará cinco ciclos de atividades entre Junho e Setembro de 2016, no Subúrbio ferroviário de Salvador e cidade baixa (Ribeira). 

Mas não paramos por ai... Esta parceria é só mais um punhado de combustível que precisamos para continuar movimentando a nossa cultura popular com cuidado, responsabilidade e preservação das tradições, considerando as dinâmicas contemporâneas.

O objetivo é que este Blog, bem como a Fan Page sirvam ao Samba de Roda e à Cultura Popular como mediador de valores do povo afro brasileiro; valores que não estão nos livros e nem na televisão. Por isso pretendemos alcançar pessoas, grupos e coletivos, questionando conceitos, construindo novas ideias e fortalecendo a herança cultural que o Samba de Roda, através de suas mestras e mestres, nos dá a cada dia, no fazer, no viver, no ser.

Convidamos todas e todos a viajar neste trem e vadiar até dizer chega!!!
Vem com a gente!!!